Antes de mais, começo pela declaração de interesses: estou completamente apaixonado pela Mayra Andrade. Platonicamente falando, como é óbvio.
No domingo, fui vê-la ao São Luiz. Mayra está para a morna como a Mariza para o fado… mas em versão “linda”. A prestação desta menina bonita da música cabo-verdiana (quanto a mim, a única) foi brilhante, embora alguns periódicos a tenham classificado de decepcionante. Discordo. Por três ordens de razões. Primeiro, Mayra Andrade não precisa de agradar aos periódicos, nem aos seus jornalistas. Segundo, estou apaixonado por ela, como já referi. Terceiro, desde quando é que na presença de um mulher linda, corpo bamboleante, olhos verdes, peito a saltar do decote, voz vibrante, etc, etc, etc, queremos saber da acústica do teatro?
Oh, Mayra… Tivesse eu moedas de um cêntimo por cada vez que suspirei a ouvir a tua música. Oh, Comme s’il pleuvait… oh, Tunuka… oh, Lua…
Esta coisa de estar platonicamente apaixonado por uma cantora tem que se lhe diga. Ainda para mais quando o sujeito há muito saiu da adolescência. A malta está num camarote num dos balcões do São Luiz, apoiada no varandim e quando dá por si está a olhar embevecida para uma menina que, lá em baixo, domina o palco, sorri até à exaustão e faz do crioulo uma língua universal. E a malta sente-se ridícula. Assim… comovida. Eu, próprio, senti-me como uma miúda que chora num concerto de Pearl Jam, que grita a ver o Robbie Williams, que puxa os cabelos à passagem de Enrique Iglesias…
Sim, a Mayra delicia-me. O que querem?! Tenho desculpa, ela canta bem com’ó caraças. E eu sou um ouvinte tão atento…